Biografia

O Templo Lux nasce da fé e da tradição familiar, com raízes afro-brasileiras e saberes mágicos e esotéricos transmitidos ao longo das gerações.

Aqui, a história de Lucas é apresentada como um caminho iniciado na infância, no qual o crescimento espiritual aconteceu junto com a formação humana.

Uma trajetória construída pela vivência religiosa, pela presença da ancestralidade, resultando em um caminho marcado pela espiritualidade e pela missão assumida nesta geração.

Apresentação Pessoal

Lucas é descendente da miscigenação entre povos indígenas, europeus e orientais. Brasileiro, acadêmico e pesquisador das religiões afro-brasileiras.

Dedica-se a espiritualidade, é herdeiro de um templo religioso familiar fundado em 1940 no Brasil, onde, desde cedo, aprendeu sobre religião, cultura amazônica e o cuidado com o ser humano em suas dimensões física, emocional e espiritual.

Atua como médium desde adolescente e hoje preside o cargo de líder espiritual do Templo herdado de sua família. Como dirigente, é responsável pela preservação dos conhecimentos ancestrais da casa e pela integração de novos saberes adquiridos ao longo de sua trajetória iniciática, estudos e vivências, incorporados ao templo nesta geração.

Defende as causas religiosas de matriz afro-brasileira, da saúde pública e humanidade em geral. Também atua como palestrante, pesquisador e tradutor em pesquisas religiosas desenvolvidas no Brasil em parceria com a Universidade de Groningen, na Holanda.

A trajetória espiritual de Lucas tem origem na história de sua família e na fundação do templo que hoje é preservado por sua linhagem. Em 1940, sua bisavó Joana deu início a um terreiro que reunia práticas do Candomblé Nagô e da Umbanda, estruturado a partir do culto aos orixás, voduns e encantados amazônicos, dentro da tradição do Tambor-de-Mina Gegê-Nagô, religião ancestral do Norte do Brasil, especialmente presente no Pará e no Maranhão.

Joana era natural do Moju, no interior do Pará, e era descendente da etnia indígena. Ainda na infância, viveu sua primeira incorporação espiritual às margens do rio Cairari, onde passou à realizar curas por meio de rituais de pajelança.

Quando adulta, mudou-se para Belém, onde constituiu família e consolidou a comunidade religiosa que viria a se tornar o templo. Mulher indígena, sem acesso à alfabetização formal em língua portuguesa, encontrou na pajelança dos encantados e no trabalho doméstico os meios para sustentar sua família e manter viva a tradição espiritual recebida de seus ancestrais.

Em um período de intensa perseguição religiosa, recorreu ao sincretismo católico da Umbanda como forma de proteger suas práticas espirituais, uma vez que, à época, essas expressões religiosas eram consideradas ilegais pelas autoridades locais. A partir desse gesto de resistência e preservação, a tradição espiritual foi transmitida ao longo das gerações, constituindo a base da ancestralidade religiosa que hoje sustenta o Templo Lux e legitima a continuidade do trabalho espiritual nesta geração.

Desde a infância, Lucas esteve imerso no universo espiritual que sustentava o terreiro familiar. Em 1940, sua bisavó havia construído, com o apoio da comunidade, o terreiro em Belém do Pará. Foi nesse espaço que, a partir dos quatro anos de idade, Lucas passou a participar das sessões de pajelança e cura espiritual conduzidas por ela, sempre acompanhado por sua mãe, também neta de Joana.

Ainda de forma silenciosa, sua bisavó iniciou sua preparação espiritual, observando e orientando seus primeiros passos dentro da mediunidade. Lucas aos quatorze anos de idade viveu suas primeiras manifestações espirituais no terreiro. A primeira entidade a se manifestar em seu corpo foi a Cigana Esmeralda, que marcou o início da sua jornada como médium.

Apesar da forte herança espiritual na familia, Lucas buscou, durante sua adolescência , um caminho distinto dos demais. Ainda jovem, se interessou por conhecimentos que estruturariam suas práticas mágico-religiosas, buscou conhecimento profundo no ocultismo.

Nesse período, foi iniciado na bruxaria, praticando magia de forma paralela com os rituais do terreiro de sua Bisavó.

A bisavó de Lucas faleceu aos 106 anos, após mais de nove décadas dedicadas à pajelança e às diversas correntes afro-brasileiras, do Terecô do Maranhão à Umbanda. Mulher da terra, filha de indígena, foi médium dos encantados e guardiã de uma espiritualidade profundamente enraizada na natureza e na cultura brasileira.

Dois anos antes de sua morte, sua bisavó compreendeu que a sucessão não poderia mais ser adiada. Já fragilizada fisicamente, decidiu consagrá-lo publicamente como Pai de Santo, anunciando que ele daria continuidade aos trabalhos espirituais do Templo. Aos vinte anos, Lucas foi nomeado Dirigente Espiritual de Umbanda e herdeiro do axé do Terreiro de Mina Cosme e Damião.

Quarenta dias após o falecimento de sua bisavó, Lucas recebeu a visita espiritual de sua encantada Mariana, que o orientou a buscar as raízes mais profundas de sua ancestralidade espiritual. Essa orientação o conduziu ao Terreiro do falecido Babalorixá de Mãe Joana e, posteriormente, ao acolhimento da sua neta que agora dirigia o Templo. Lucas foi acolhido com afeto e compromisso com a memória de sua bisavó.

Sob sua orientação, Lucas, já consagrado a Oxum, foi iniciado para ela dentro do Candomblé Nagô, vivendo anos de aprendizado em uma casa de axé onde, anteriormente, Mãe Joana também havia sido iniciada . Posteriormente, recebeu seu Deká, sendo reconhecido como Babalorixá, e fundou o Reino de Oxum, agregando os Orixás à continuidade do Terreiro de Mina Cosme e Damião, fundado por sua bisavó.

O primeiro grande ritual realizado na inauguração do Templo Lux, em 2024, homenageou aos Exus e Pombagiras para oficializar a Quimbanda como parte independente do templo.

O Portador da Luz se revelou de forma observável nesta mesma época, trazendo a compreensão plena da missão espiritual de Lucas.

Nesse encontro, Lucas foi nomeado “Lux“pela figura espiritual manifestada de um anjo espartano esculturado em beleza, que revelou a sua missão benéfica à clareza, à autonomia espiritual e à libertação da consciência.

A partir desse chamado, Mestre Lux compreende sua vida como instrumento da espiritualidade para despertar consciências e resgatar a cultura do mundo antigo.

O Templo Lux é a libertação espiritual, a busca pelo conhecimento e pela iluminação da consciência a todos que ali chegam.

O Templo Lux reconhece e preserva os espíritos encantados dos povos originários, bem como as práticas rituais trazidas por diferentes culturas que chegaram ao Brasil em épocas diversas. Divindades africanas, espíritos ancestrais cultuados no Tambor de Mina e na Quimbanda — como Encantados, Exus e Pombagiras — encontram no Templo Lux um espaço de memória, respeito e continuidade. As divindades africanas, indígenas, e outras linhagens espirituais são honrados como parte viva e importante da formação espiritual no Brasil. 

Fundamentado na filosofia gnóstica Luciferiana, o templo defende a liberdade de pensamento e de escolha espiritual. O Portador da Luz simboliza o direito de cada ser humano reconhecer seu lugar de pertencimento sem que sua fé, cultura, identidade ou orientação sejam negadas. A diversidade do ser humano é compreendida como parte essencial da própria espiritualidade.

O Templo Lux oferece acolhimento como espaço religioso plural, organizado para acolher diferentes egrégoras espirituais. Cada tradição possui seu dia e lugar de prática dentro do templo, mantendo seus rituais, fundamentos e formas próprias de culto, integradas de maneira responsável.

Egrégoras

O Templo pratica de forma soberana a doutrina Luciferiana, além do culto aos Orixás, aos Encantados e às forças da natureza.

Como templo e morada dos Antigos Deuses, esta casa preserva tradições ancestrais, rituais, rezas e fundamentos herdados de seus antepassados, guiada pelo compromisso, pelo amor e pelo respeito à espiritualidade. 

Cada trabalho é realizado com fé, disciplina e cuidado, buscando o equilíbrio do corpo, da mente e do espírito, mantendo viva a magia e o axé que nos sustenta.

Eventos

No dia 13 de novembro de 2024, fui convidado para um encontro acadêmico na Faculdade de Religião, Cultura e Sociedade da Universidade de Groningen, conduzido pela Dra. Manoela Carpenedo Rodrigues. A atividade promoveu uma reflexão sobre as religiões afro-brasileiras a partir de uma perspectiva antropológica, abordando aspectos históricos e sociais do Candomblé e da Umbanda, seus processos de sincretismo e questões contemporâneas como a intolerância religiosa, a violência sistêmica e as vivências de gênero e LGBTQIA+. Por meio de imagens, vídeos e do diálogo com o público, o encontro proporcionou um espaço de troca, escuta e aprendizado, seguido de uma sessão de perguntas e uma conversa informal entre os participantes.